terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Audiência pela Vida e Dignidade Humana

Cidade do Vaticano - Bento XVI recebeu em audiência na manhã deste sábado (13), na Sala Clementina, no Vaticano, os membros da Pontifícia Academia para a Vida, reunidos nestes dias em assembléia geral e conduzidos por seu presidente, o arcebispo Rino Fisichella.

A ciência sozinha não basta para compreender o valor da dignidade humana, nem para garantir o respeito pela sacralidade da vida. Isso é possível somente se se reconhece que nela brilha o fundamento da lei natural, inscrita não pelo homem, mas por Deus, disse o papa, no discurso que dirigiu aos presentes, no qual abordou o delicado tema da bioética em relação aos problemas atuais.

A idéia de que a vida seja matéria "manipulável" pela ciência igualmente a outros aglomerados orgânicos, ou o pietismo fácil de quem se comove diante de "situações-limite" e crê que isso vale como respeito pela dignidade humana: todas derivas perigosas – como a de um Estado que pretenda fixar por leis questões éticas fazendo-se ele mesmo princípio de ética – se se ignora ou se desconhece o valor da lei natural.

Como em análogas ocasiões, ou como na última encíclica "Caritas in veritate", o pontífice fez afirmações de grande clareza. Hoje – reiterou – a partida do "desenvolvimento humano integral" se joga no campo da bioética:

"Trata-se de um âmbito delicadíssimo e decisivo, em que emerge com força dramática a questão fundamental: se o homem é produzido por si mesmo ou se ele depende de Deus. As descobertas científicas neste campo e as possibilidades de intervenção técnica parecem tão avançadas a ponto de impor a escolha entre as duas racionalidades: a racionalidade da razão aberta à transcendência ou a racionalidade da razão fechada na imanência."

A própria bioética, no momento em que emergem "possíveis conflitos interpretativos", necessita de uma sólida "evocação normativa", e isso – precisou o papa – se funda na "lei moral natural".

É nela – explicou – que o reconhecimento da dignidade humana, "enquanto direito inalienável, encontra o seu fundamento primeiro naquela lei não inscrita por mão humana, mas inscrita por Deus Criador no coração do homem".

Vice-versa – objetou o Santo Padre – "sem o princípio básico da dignidade humana seria árduo encontrar uma fonte para os direitos da pessoa e impossível alcançar um juízo ético em relação às conquistas das ciências que intervêm diretamente na vida humana":

"É necessário, portanto, repetir com firmeza que não existe uma compreensão da dignidade humana ligada somente a elementos externos como o progresso da ciência, o gradualismo na formação da vida humana ou o fácil pietismo diante de situações-limite. Quando se evoca o respeito pela dignidade da pessoa é fundamental que tal respeito seja pleno, total e incondicional, reconhecendo encontrar-se sempre diante de uma vida humana."

Fonte: Rádio Vaticano

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