quarta-feira, 4 de maio de 2011

N.Senhora das Graças - França: 1830.


Simbolismo da Medalha Milagrosa

A serpente: Maria aparece esmagando a cabeça da serpente.

A mulher que esmaga a cabeça da serpente, que é o demônio já estava predita na Bíblia, no livro do Gênesis: "Porei inimizade entre ti e a mulher... Ela te esmagará a cabeça e tu procurarás, em vão, morder-lhe o calcanhar".
Deus declara iniciada a luta entre o bem e o mal. Essa luta é vencida por Jesus Cristo, o "novo Adão", juntamente com Maria, a co-redentora, a "nova Eva". É em Maria que se cumpre essa sentença de Deus: a mulher finalmente esmaga a cabeça da serpente, para que não mais a morte pudesse escravizar os homens.

Os raios:
Simbolizam as graças que Nossa Senhora derrama sobre os seus devotos. A Santa Igreja, por isso, a chama Tesoureira de Deus.

As 12 estrelas:
Simbolizam as 12 tribos de Israel.
Maria Santíssima também é saudada como "Estrela do Mar" na oração Ave, Maris Stella.

O coração cercado de espinhos:
É o Sagrado Coração de Jesus. Foi Maria quem o formou em seu ventre. Nosso Senhor prometeu a Santa Margarida Maria Alacoque a graça da vida eterna aos devotos do seu Sagrado Coração, que simboliza o seu infinito e ilimitado Amor.

O coração transpassado por uma espada:
É o Imaculado Coração de Maria, inseparável ao de Jesus: mesmo nas horas difíceis de Sua Paixão e Morte na Cruz, Ela estava lá, compartilhando da Sua dor, sendo a nossa co-redentora.

O M:
Significa Maria. Esse M sustenta o travessão e a Cruz, que representam o calvário. Essa simbologia indica a íntima ligação de Maria e Jesus na história da salvação.

O travessão e a Cruz:
Simbolizam o calvário. Para a doutrina católica, a Santa Missa é a repetição do sacrifício do Calvário, portanto, ressaltam a importância do Sacrifício Eucarístico na vida do cristã

História - Aparição de N.Senhora das Graças - França: 1830. (Lusmar Paz)

Eram cinco e meia da tarde do dia 27 de Novembro de 1830. Catarina Labouré, irmã de caridade da congregação de S. Vicente de Paulo foi fazer suas orações na capela do convento, situado na Rua Du Bac, 140, na cidade de Paris. Nesse momento, a Virgem Maria lhe apareceu e lhe revelou aquilo que se tornaria um fenômeno mundial de derramamento de graças, conversões e milagres: a Medalha Milagrosa de Nossa Senhora das Graças. Trata-se de uma revelação impressionante do amor que Deus tem pelos homens, manifestado através da Virgem Maria.

Vejamos o relato da aparição nas palavras da própria Catarina Labouré: "uma Senhora de mediana estatura, de rosto muito belo e formoso... Estava de pé, com um vestido de seda, cor de branco-aurora. Cobria-lhe a cabeça um véu azul, que descia até os pés... As mãos estenderam-se para a terra, enchendo-se de anéis cobertos de pedras preciosas. A Santíssima Virgem disse-me: ‘Eis o símbolo das Graças que derramo sobre todas as pessoas que mas pedem ...' Formou-se então, em volta de Nossa Senhora, um quadro oval, em que se liam, em letras de ouro, estas palavras: ‘Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós, que recorremos a Vós'. Depois disso o quadro que eu via virou-se, e eu vi no seu reverso: a letra M, tendo uma cruz na parte de cima, com um traço na base. Por baixo: os Sagrados Corações de Jesus e de Maria. O de Jesus, cercado por uma coroa de espinhos e a arder em chamas, e o de Maria também em chamas e atravessado por uma espada, cercado de doze estrelas. Ao mesmo tempo, ouvi distintamente a voz da Senhora, a dizer-me: ‘Manda, manda cunhar uma medalha por este modelo. As pessoas que a trouxeram, com devoção, hão de receber muitas graças".

Este relato pode parecer simples e curto. Porém, quando analisamos o contexto em que os fatos aconteceram, vemos que, na verdade, ele contém dados extraordinários e maravilhosos.

O primeiro deles, claro, é a aparição de Nossa Senhora. Mas esta aparição poderia ser questionada. Será que o que Catarina Labouré viu era realmente a Virgem Maria? Ela poderia ter tido uma alucinação, poderia ter problemas mentais, etc. É um questionamento pertinente, em se tratando de assunto tão sério. E, certamente, as autoridades eclesiásticas da época fizeram essas mesmas perguntas.

O que dá um "certificado de garantia" a essa aparição é a frase que Catarina Labouré viu na Medalha Milagrosa: ‘Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós, que recorremos a Vós'. Com efeito, o adjetivo "Concebida sem pecado", referindo-se a Nossa Senhora, não era usado na época em nenhuma oração ou escrito sobre Maria. O povo, na verdade, sempre acreditou, desde o início do cristianismo, que Maria era isenta do pecado original. Mas isso não era um dogma de fé. Era uma verdade que começava a fazer barulho entre os teólogos, mas não saía da esfera dos intelectuais católicos de Roma. A possibilidade de uma religiosa francesa, iniciante, como era Catarina Labouré, ter conhecimento dessa verdade, era quase nula. O fato de Catarina Labouré dizer esta frase é um certificado de garantia de sua veracidade.

Tanto que, vinte e quatro anos depois, em 1854, o papa Pio IX proclamou o dogma da Imaculada Conceição afirmando que Maria, por uma graça especial de Deus e pelos méritos da paixão e ressurreição de Jesus, foi isenta do pecado original desde a sua concepção. E, a própria Virgem Maria confirmou essa verdade de fé quatro anos mais tarde quando apareceu a Bernadete Sobirous, em Lourdes, também na França. Na ocasião, a Virgem disse a Bernadete: "Eu sou a Imaculada Conceição". Imaculada Conceição quer dizer: concebida sem a mancha do pecado.

Se isso não basta para dar um "certificado de garantia" a aparição de Maria a Catarina Labouré, os fatos que aconteceram depois o dão de sobra.

Apenas alguns meses depois as aparições, a Irmã Catarina foi mandada para o Asilo de Enghien, em Paris XII. Lá, ela cuidava de velhinhos, como é o carisma de sua congregação. Porém, uma voz interior a inquietou insistindo: "É preciso fazer cunhar a medalha!" Catarina falou sobre isso ao seu confessor, o Padre Aladel. Este, depois de muito relutar, consultou o Arcebispo de Paris, Dom Jacinto Luís de Quélen. Dom Jacinto autorizou a cunhagem das medalhas. Mas o processo foi lento.

  • Medalha Milagrosa e sua origem

Em fevereiro de 1832, uma grande epidemia de cólera devastou a região, causando a morte de mais de vinte mil pessoas. Nesse tempo, o Pe. Aladel havia pedido a cunhagem das primeiras duas mil medalhas e as entregou às Filhas da Caridade, congregação de Irmã Catarina. As irmãs começam a distribuí-las em junho, em meio à epidemia. As curas começaram a acontecer e, junto com elas, grandes conversões e testemunhos da proteção celeste para quem usava a Medalha.

A devoção se alastra velozmente. O povo de Paris começa a chamar a medalha de "milagrosa".

Em 1834, havia mais de quinhentas mil Medalhas cunhadas. Em 1835, elas já eram mais de um milhão no mundo. Em 1839, já tinham sido cunhadas mais de dez milhões de Medalhas! Quando a Irmã Catarina Labouré veio a falecer, em 1876, já haviam sido cunhadas mais de um bilhão de medalhas!

Imagine quantos milhões de fiéis rezaram a jaculatória "Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós, que recorremos a Vós".Esse clamor ressoou em Roma e ajudou o papa a proclamar o dogma da Imaculada Conceição, como dissemos acima.

Mais tarde, o papa Pio XII disse a respeito da Medalha: "Esta piedosa medalha foi, desde o primeiro momento, instrumento de tão numerosos favores, tanto espirituais como temporais, de tantas curas, proteções, e sobretudo conversões, que a voz unânime do povo chamou-a, desde logo, "Medalha Milagrosa".

Os símbolos contidos na Medalha são riquíssimos em significados. Vejamos: na parte da frente, a imagem de Maria e a jaculatória ‘Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós, que recorremos a Vós', afirmando o dogma da Imaculada Conceição e pedindo a intercessão de Nossa Senhora. E, no reverso, a cruz sobre a letra M, de Maria, coloca Maria no seu lugar: Jesus está acima dela. Ela é intercessora e Mãe. Os Sagrados Corações de Jesus e de Maria, ardendo em chamas, simbolizam o amor de Deus e da Mãe, por toda a humanidade e por cada ser humano em particular. Os espinhos no coração de Jesus, e a espada no coração de Maria, simbolizam o sofrimento pelo qual eles passaram: Jesus, para salvar a humanidade e Maria, como "co-redentora", sofrendo também com a paixão de seu Filho.

É por tudo isso que a Medalha Milagrosa de Nossa Senhora das Graças é uma devoção tão abençoada. Levar a Medalha de Nossa Senhora das Graças, é professar o dogma da Imaculada Conceição; é aparar-se nos corações de Jesus e de Maria; é crer nas graças que a Mão do Céu pode dispensar aos homens; é crer na proteção de Nossa Senhora: proteção contra perigos temporais e, principalmente, espirituais.


Nossa Senhora da Medalha Milagrosa


1830. O panorama político francês e, principalmente, a mentalidade das pessoas mudou muito desde a Revolução francesa de 1789. Contudo, o clima no país é cada vez mais tenso. No meio destas vicissitudes internas, faz-se ouvir a voz da Virgem Santíssima: vinde aos pés deste altar, aqui serão derramadas graças sobre todos.

Santa Maria apareceu a Catarina Labouré, jovem de vinte e quatro anos que acabava de começar o noviciado nas Filhas da Caridade, naquele longínquo 19 de Julho de 1830
Santa Maria apareceu a Catarina Labouré, jovem de vinte e quatro anos que acabava de começar o noviciado nas Filhas da Caridade, naquele longínquo 19 de Julho de 1830
O convite urgente da Nossa Mãe na sua primeira aparição na Rue du Bac foi acolhido por milhões de pessoas, das mais diversas culturas e origens, que se ajoelham aos pés da Virgem Milagrosa, numa capela situada em pleno coração da capital francesa.
Mas a quem e porquê apareceu Nossa Senhora naquele longínquo 19 de Julho de 1830? Catarina Labouré era então uma jovem de vinte e quatro anos, que acabava de começar o noviciado nas Filhas da Caridade, instituição fundada por S. Vicente de Paulo, com a missão de se ocupar dos doentes e dos idosos.

O que a Santíssima Virgem lhe disse nesses momentos, foi escrito por Catarina poucos meses antes de morrer: Deus, minha filha, quer encarregar-te de uma missão. Será causa de muitas tribulações, mas superá-las-ás pensando que o fazes para a Glória de Deus. Perseguir-te-ão mas a minha graça não te faltará, não tenhas medo. Verás certas coisas de que terás de falar, mas eu inspirar-te-ei na oração o modo de o fazer.
Os tempos são maus. Haverá desgraças de toda a espécie no mundo inteiro.

A mensagem de Nossa Senhora indicava o remédio: vinde aos pés deste altar. Aqui serão derramadas graças sobre todas as pessoas que as peçam com confiança e piedade. Serão derramadas sobre grandes e pequenos.

José Escrivá, pai de São Josemaria, incutiu-lhe a devoção à Medalha da Virgem Milagrosa
José Escrivá, pai de São Josemaria, incutiu-lhe a devoção à Medalha da Virgem Milagrosa
Durante uma segunda aparição, em 27 de Novembro de 1830, um sábado e véspera do primeiro domingo do Advento, Catarina viu a Virgem Maria e, à sua volta, um halo sobre o qual apareciam escritos em ouro os seguintes dizeres: Oh, Maria, concebida sem pecado, rogai por nós, que recorremos a Vós. E um desejo de Santa Maria: manda gravar uma medalha de acordo com este modelo. As pessoas que a usarem irão receber grandes graças; as graças serão muito abundantes para todos aqueles que tiverem confiança.

As primeiras medalhas foram difundidas em Maio de 1832 e os frutos não se fizeram esperar. A partir desse momento, atribuem-se à Medalha Milagrosa – assim chamada pela devoção popular – numerosas conversões e curas.

A vida de Catarina depois das aparições é discreta e escondida. Vive quarenta e seis anos num asilo-hospital nos arredores de Paris, encarregando-se sempre de tarefas humildes.
Morre a 31 de Dezembro de 1876, aos setenta anos. Pio XII canonizou-a em 27 de Julho de 1947. A sua festa celebra-se a 28 de Novembro.

São Josemaria e Nossa Senhora da Medalha Milagrosa

Deus inspirou o Opus Dei a São Josemaria enquanto fazia o seu retiro espiritual precisamente na casa dos Padres Vicentinos, junto à igreja conhecida como La Milagrosa, numa das esquinas que formam as ruas Fernández de la Hoz e García de Paredes, em Madrid.
Durante a sua vida, São Josemaria foi a Paris várias vezes para rezar, na Rua du Bac, à Virgem da Medalha Milagrosa
Durante a sua vida, São Josemaria foi a Paris várias vezes para rezar, na Rua du Bac, à Virgem da Medalha Milagrosa

Durante a sua vida São Josemaria foi várias vezes a Paris para rezar na Rue du Bac a Nossa Senhora da Medalha Milagrosa.

Esta invocação está ligada a dois acontecimentos da história do Opus Dei.
Na festa de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, em 27 de Novembro de 1924, faleceu José Escrivá, pai de São Josemaria depois de ter rezado uns momentos diante da imagem que tinham em casa. José Escrivá tinha uma grande devoção a Nossa Senhora, especialmente sob a invocação da Medalha Milagrosa. Dele recebeu São Josemaria esta devoção.

Também num dia 27 de Novembro, em 1982, foi tornada pública a erecção da Obra em Prelatura Pessoal.

D. Javier Echevarría, actual Prelado do Opus Dei, referia-se numa ocasião à coincidência destes aniversários: "Foi como que se o Senhor nos tivesse querido recordar que, em todas as nossas necessidades, temos de recorrer à Santíssima Virgem, que é a Omnipotência Suplicante. Também ante a aparente impossibilidade da nossa santidade pessoal – tu e eu não somos nada, miséria, lodo -, recorreremos cheios de confiança à nossa Mãe do Céu" (Carta de 1 de Novembro de 1995).



Aparição de Nossa Senhora das Graças
França - 1830.

Onde aconteceu: Na França.

Quando: Em 1830.

A quem: A Santa Catarina Labouré.

As aparições de Nossa Senhora a Santa Catarina Labouré, em 1830 – Paris; marcaram o início de um ciclo de grandes revelações Marianas.

Esse ciclo prosseguiu em La Salette (1846), em Lourdes (1858) e culminou em Fátima – Portugal (1917).


1ª Aparição: 18 a 19 de Julho de 1830.

A primeira aparição ocorreu durante a noite do dia 18 a 19 de julho de 1830. A Virgem Gloriosa apareceu à irmã Catarina Labouré, Filha da Caridade de São Vicente de Paulo.
Às onze e meia da noite, a irmã Catarina se acordou e ouviu claramente chamar 3 vezes:

"Irmã".

Olhou para o lado de onde vinha a voz, afastou a cortinado e viu um menino vestido de branco. Catarina viu nele o seu Anjo da Guarda.
O menino lhe disse:

"Venha à capela, a Santa Virgem Te espera".

Ela vestiu-se depressa e seguiu o Anjo, tendo-o sempre à esquerda.
As luzes por onde passaram estavam acesas, o que sobre tudo lhe causou admiração; mas muito maior foi o seu espanto quando, ao chegar à capela, a porta se abriu; mal o menino a tocou com a ponta dos dedos.
Na capela todas as velas estavam acesas. O menino a conduzia ao santuário, junto à cadeira do padre diretor.
Catarina espera e reza. Passado uma meia hora, o Anjo disse de repente:

"Eis a Santíssima Virgem".

Ao lado do altar, onde normalmente se lê a epístola, Maria desceu, dobrou o joelho diante do Santíssimo e vai sentar-se numa cadeira no coro dos sacerdotes.
Num abrir e fechar dos olhos a vidente se atirou aos seus pés, apoiado suas mãos sobre os joelhos maternais da Santa Virgem. Foi esse o momento mais belo de sua vida. Durante duas horas Maria falou com Catarina duma missão que Deus queria confiar-lhe e também das dificuldades que iria encontrar na realização da mesma.
Conta-nos Catarina: “
Ela me disse como eu devia proceder para com meu diretor, como devia proceder nas horas de sofrimento e muitas outras coisas que não posso revelar”.
Essas coisas que ela não podia contar em 1830, revelou-as depois:
“Várias desgraças vão cair sobre a França; o trono será derrubado; o mundo inteiro será revolto por desgraças de toda sorte”. Falou também de “grandes abusos” e “grande relaxamento” nas comunidades de sacerdotes e freiras vicentinas, e que deveria alertar disso os superiores.
Voltou, em seguida, a falar de outros terríveis acontecimentos que ocorreriam em futuro mais distante, prevendo com 40 anos de antecedência as agitações da Comuna de Paris e o assassinato do Arcebispo; prometeu sua especial proteção, nessas horas trágicas, aos filhos e às filhas de São Vicente de Paulo.

Depois Maria desapareceu, e o Anjo a reconduziu para o dormitório.
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2ª Aparição: 27 de Novembro de 1830.

A Segunda aparição realizou-se no dia 27 de Novembro de 1830, sábado antes do primeiro domingo do Advento. Neste dia, estando a venerável irmã na oração da tarde as 05h30min nessa Capela da Comunidade, rua du Bac, Paris; a Rainha do Céu se lhe mostrou, primeiro, junto do arco cruzeiro, do lado da epístola, onde hoje está o altar " Virgo Potens", e depois por detrás do Sacrário, no altar-mor.
Depois de Ter lido a primeira parte, "A Virgem Santíssima, - diz a irmã - aparece e estava de pé sobre um globo, vestida de branco, com o feitio que se diz à Virgem, isto é, subido e com mangas justas; véu branco a cobrir-lhe a cabeça, manto azul prateado que lhe descia até aos pés. Suas mãos erguidas à altura do peito seguravam um globo de ouro, encima do globo havia uma cruz... Tinha os olhos erguidos para o céu, e seu rosto iluminava-se enquanto oferecia o globo a Nosso Senhor Jesus Cristo.
Em seguida o seu pedido foi atendido:
As Suas mãos carregaram-se à medida que desciam, a ponto de não deixarem ver os pés de Nossa Senhora.

Enquanto se saciava em contemplá-la, Catarina ouviu uma voz que lhe disse:

"Este globo que vês representa o mundo inteiro e especialmente a França, e cada pessoa em particular. Os raios são o símbolo das Graças que derramo sobre as pessoas que mas pedem. Os raios mais espessos correspondem às graças que as pessoas se recordam de pedir. Os raios mais delgados correspondem às graças que as pessoas não se lembram de pedir.“

Enquanto Maria estava rodeada duma luz brilhante, o globo desaparece das suas mãos. Formou-se então em torno da virgem um quadro de forma oval em que havia em letras de ouro estas palavras:

"Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós".

Então uma voz se fez ouvir que dizia:

’'Manda cunhar uma Medalha por este modelo; as pessoas que a trouxerem indulgenciada, receberão grandes graças, mormente se a trouxerem ao pescoço; hão de ser abundantes as graças para as pessoas que a trouxerem com confiança. “

No mesmo instante, a imagem luminosa transformou-se. As mãos carregadas de anéis, que seguravam o globo abaixaram-se, abrindo-se despejando raios, sobre o globo em que a Virgem pousava os pés, esmagando a serpente infernal.
Depois, o quadro voltou-se, mostrando no reverso um conjunto de emblemas, no centro um grande M, o monograma de Maria, encima do M, por uma cruz sobre uma barra; abaixo do monograma havia dois corações: o da esquerda cercado de espinhos, o da direita transpassado por uma espada.
Eram os corações de Jesus e Maria.
Enfim uma constelação de doze estrelas, em forma oval, cercando este conjunto.

Passaram-se dois anos sem que os superiores eclesiásticos decidissem o que havia de Fazer-se; até que, depois do inquérito canônico, se cunhou a Medalha por ordem e com aprovação do Arcebispo de Paris, Monsenhor Quélen.

Paris sofria com a peste que dizimava milhares todos os dias e aos doentes nos hospitais onde as Irmãs da Caridade serviam foram distribuídas as primeiras medalhas e os mesmos milagrosamente ficavam curados, daí grande parte do povo na época passou a crer e usar as medalhas e as curas foram incontáveis até os nossos dias; isso justo numa França que na época era o berço do iluminismo e de um materialismo crescente.
Entre outros prodígios é célebre a conversão do judeu Afonso Ratisbonne, acontecida depois da visão que ele teve na Igreja de Santo Andrea delle Frate, em Roma, em que a Santíssima Virgem lhe apareceu como se representa na Medalha Milagrosa.
Para logo, começou a espalhar-se com muita rapidez a devoção pelo mundo inteiro, acompanhada sempre de prodígios e milagres extraordinários, reanimando a fé quase extinta em muitos corações, produzindo notável restauração dos bons costumes e da virtude, sarando os corpos e convertendo as almas.

O primeiro a aprovar e abençoar a Medalha foi o Papa Gregório XVI, confiando-se à proteção dela e conservando-a junto de seu crucifixo. Pio IX, seu sucessor, o Pontíficie da Imaculada, gostava de dá-la como prenda particular da sua benevolência pontífica. Não admira que, com tão alta proteção e à vista de tantos prodígios, se propagasse rapidamente. Só no espaço de quatro anos, de 1832 a 1836, a firma Vechette, incumbida de a cunhar, produziu dois milhões delas em ouro e prata e dezoito milhões em cobre.
Graças a esta difusão prodigiosa, foi-se radicando mais e melhor no povo cristão a crença na Imaculada Conceição de Maria e a devoção para com tão excelsa Senhora. Este grande privilégio da Virgem Maria foi proclamada dogma em 1854 pelo Papa Pio IX. Logo Nossa Senhora ficou também conhecida por Nossa Senhora da Medalha Milagrosa ou Nossa Senhora das Graças.
Em 1858, a Virgem Maria veio confirmar essa verdade de fé pelas suas aparições em Lourdes à pequena Bernadette, que trouxe a medalha ao pescoço, Maria se fez conhecer com estas palavras:

"Eu sou a Imaculada Conceição".

Em outras aparições subseqüentes a Santíssima Virgem falou a Catarina de Labouré da fundação de uma Associação das Filhas de Maria que depois o Papa Pio IX aprovou a 20 de junho de 1847, enriquecendo-a com as indulgências da Prima-primária. Espalhou-se pelo mundo inteiro e conta hoje com mais de 150.000 associadas.
Leão XIII a 23 de junho de 1894 instituiu a Festa da Medalha Milagrosa; a 2 de Março de 1897 encarregou o Cardeal Richard, Arcebispo de Paris, de coroar em seu nome a estátua da Imaculada Virgem Milagrosa que está no altar-mor da Capela da Aparição, o que se fez a 26 de julho do mesmo ano. Pio X não esqueceu a Medalha Milagrosa no ano jubilar; a 6 de junho de 1904 concedeu 100 dias de indulgência de cada vez que se diga a invocação: "Ó Maria concebida sem pecado, etc", a todos quantos tenham recebido canonicamente a Santa Medalha; a 8 de julho de 1909 instituiu a Associação da Medalha Milagrosa com todas as indulgências e privilégios do Escapulário azul. Bento XV e Pio XI encheram a Medalha e a Associação de novas graças e favores.

Hoje, todo o interior da Igreja de Nossa Senhora das Graças em Paris e o pátio externo são cheios das manifestações dos fiéis pelas graças alcançadas, principalmente placas de mármore com a palavra "Merci"- obrigado em francês – e a data, existem placas desde a época em que os primeiros milagres aconteceram, pouco depois da distribuição das primeiras medalhas ao povo, década de 1830.


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SANTA CATARINA LABOURÉ

Catarina Labouré tem 9 anos quando a mãe adoece e vem a morrer. No meio do seu grande sofrimento compreende que pode contar para sempre com o amor da Virgem Maria, a Mãe de Jesus. Um dia - Catarina tem já 24 anos - Maria vem confiar-lhe uma mensagem. Inscrita numa medalhinha essa mensagem revela a todos nós o quanto Jesus e Maria nos amam.

Na pequena aldeia de Fain-les-Moutiers, na Borgonha, Catarina nasceu a 2 de maio de 1806, a nona dos onze filhos de Pedro e Luísa Labouré, honestos e religiosos agricultores.
Quando tinha apenas nove anos, Catarina perdeu a mãe. Após o funeral, a menina subiu numa cadeira em seu quarto, tirou uma imagem de Nossa Senhora da parede, osculou-a e pediu-lhe que Ela se dignasse substituir sua mãe falecida.
Três anos depois, sua irmã mais velha entrou para o convento das Irmãs da Caridade de São Vicente de Paulo. Couberam a Catarina, então com 12 anos, e à sua irmã Tonete, com 10, todas as responsabilidades domésticas. Foi nessa época que ela recebeu a Primeira Comunhão. A partir de então a menina passou a levantar-se todos os dias às quatro horas da manhã, para assistir à Missa e rezar na igreja da aldeia. Apesar dos inúmeros afazeres, não descuidava sua vida de piedade, encontrando sempre tempo para meditação, orações vocais e mortificações.

O tempo foi passando, e Catarina crescendo em graça e santidade.
Certo dia ela sonhou que estava na igreja e viu um sacerdote já ancião celebrando a Missa. Quando esta terminou, o sacerdote fez-lhe um sinal com o dedo, chamando-a para perto de si. Porém, tímida, Catarina retirou-se do recinto sagrado e foi visitar um doente. O mesmo sacerdote apareceu-lhe, e disse: “Minha filha, é uma boa obra cuidar dos enfermos; você agora foge de mim, mas um dia será feliz de me encontrar. Deus tem desígnios sobre você, não se esqueça”. Catarina acordou sem entender o significado do sonho.

Mais tarde, visitando o convento das Irmãs da Caridade de Chatillon, onde estava sua irmã, viu na parede um quadro representando o mesmo ancião. Perguntou quem era, e responderam-lhe que se tratava de São Vicente de Paulo, fundador da Congregação. Catarina entendeu então que sua vocação era a de ser uma das filhas do Santo da caridade.
Mas seu pai não queria ouvir falar disso. Já bastava ter dado uma filha a Deus, e ele tinha muito apego a Catarina. Para distraí-la dessa idéia, mandou-a a Paris, para ajudar seu irmão que tinha lá uma pensão. Foi uma provação para a santa ver-se em meio aos rudes fregueses do estabelecimento, o que a fez redobrar as orações para manter sua pureza de coração e o fervor de espírito.
Uma cunhada a convidou a ir para sua casa, em Chatillon, onde mantinha uma escola para moças. Ali Catarina podia ir freqüentemente ao mosteiro das Irmãs da Caridade, que ficava perto. E foi nessa casa religiosa que ela entrou a 22 de janeiro de 1830, quando seu pai deu-lhe finalmente a devida permissão. Catarina tinha então 24 anos de idade.

E foi neste mesmo ano de 1830 que Nossa Senhora lhe apareceu mostrando-lhe a Medalha Milagrosa e mandou que a propagasse. Encontrou primeiro resistência até do seu diretor espiritual, mas afinal as autoridades eclesiásticas convenceram-se da verdade das aparições. Muitos milagres, curas de doentes e conversões foram feitas pela Medalha Milagrosa.

Catarina, porém, desejava ficar oculta; como São João Batista, a respeito de Jesus dizia: " Ele deve crescer, e eu diminuir", assim Catarina desejava: "Maria deve crescer e eu diminuir" . Mas Deus e Maria Glorificaram a fiel serva: Foi ela beatificada por Pio XI em 28 de maio de 1933, domingo entre Ascensão de Nosso Senhor e Pentecostes e solenemente canonizada por Pio XII em 27 de julho de 1947, e por ordem do Arcebispo, o seu corpo foi exumado.

Então verificou-se que o seu corpo estava perfeitamente conservado. Até os olhos ficaram intactos. Depositaram-no num caixão de cristal, que foi colocado sob o altar das aparições, na famosa Igreja de Nossa Senhora das Graças na rue du Bac, 140, no centro de Paris.
Cada ano, milhões de peregrinos se dirigem até lá para implorar a intercessão de Maria Santíssima e da sua confidente a Santa Catarina Labouré.

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