segunda-feira, 20 de junho de 2011


Deus é comunidade de amor

Quando o homem olha para dentro de si, a fim de analisar sua experiência religiosa, tem a sensação de um abismo sem fundo, uma profundeza in­finita. A essa profundeza inatingível de nosso ser refere-se a palavra "Deus". Deus significa isto: a profundeza última da nossa vida, a fonte do nosso ser, a meta de todos os nossos esforços. Esse fundo íntimo do nosso ser manifesta-se na abertura do nosso "eu para um 'tu", e na seriedade dessa inclinação. Vemos assim impressa em nosso ser a realidade profunda e grandiosa do Deus cristão, a Trindade. Isto é, o mistério de um Deus que é comunidade e comunhão de vida. Um Deus que é Pai, Filho, Espírito Santo.

A comunhão com Deus, fim do homem

O próprio Deus vem ao homem, manifesta-se a ele como "Senhor", mas cheio de bondade e misericórdia, rico em graça e fidelidade (1ª leitura). Na exuberância de seu amor pelo mundo, manifestado no dom de seu Filho único para salvá-lo (evangelho), o Deus do amor e

da paz derrama sobre os homens sua graça em Cristo, e os chama à comunhão com ele no Espírito Santo (2ª leitura).

A Comunidade Trinitária é verdadeiramente o valor último e supremo, o único verdadeiro fim último do homem, uma vez que Deus, e somente Deus, é a plenitude de toda perfeição.

A Comunidade Trinitária é verdadeiramente mistério, realidade que supera absolutamente toda compreensão humana. Deus jamais deixará de causar a admiração do homem, e nunca homem algum penetrará na terra de Deus se não estiver disposto a se desarraigar, como Abraão (Gn 12,1), das fronteiras de suas limitações e da estreiteza de suas seguranças. A oração não deve reduzir Deus aos limites do homem; mas deve dilatar o homem aos horizontes de Deus. O silêncio, que o Pai parece opor em muitos casos aos pedidos humanos, nasce da autenticidade de sua paternidade, de sua firmeza em não condescender com a mesquinhez dos planos humanos, para poder substituí-los por planos bem maiores, nascidos do seu amor.

A Comunidade Trinitária é o verdadeiro futuro do homem, só ela pode assegurar ao homem um plano de vida sem limites, porque capaz de superar até a morte. Diz eficazmente santo Agostinho: "Deus é tão inexaurível que quando encontrado ainda falta tudo para encontrá-lo". Isso significa que o dinamismo e a criatividade humana encontram nele um horizonte sem limites; portanto, um futuro total.

Um só Deus em três pessoas

Esta revelação não vem simplesmente satisfazer nossa necessidade de conhecer a Deus; concerne diretamente ao destino do homem e da criação. De fato, a salvação, como comunhão de amor entre Deus e o homem, reflete as características dos dois interlocutores que a constituem: Deus e o homem. Ora, o homem só pode ser compreendido a partir de Deus: feito à imagem de Deus, é plasmado conforme o Cristo, que é a imagem perfeita de Deus (Cl 1,15). Portanto, as perguntas e respostas sobre Deus são de uma importância fundamental para compreender o homem. Concretamente, a vida humana, de um ponto de vista religioso, desenvolve-se e se expande proporcionalmente ao "conhecimento" do mistério de Deus (Jo 17,3). Se o homem é destinado à comunhão com Deus Pai, é claro que sua vida tem tanto mais valor quanto mais ele consegue seguir o movimento de "subida aos céus" inaugurado pela ascensão de Jesus (Jo 12,32), até sentar-se à direita do Pai para vê-lo face a face. O Pe. Faber escreveu que "todo aprofundamento da idéia sobre Deus equivale a um novo nascimento". O mistério do amor Trinitário revela algo do mistério mais profundo do homem; por sermos como somos, criaturas capazes de conhecer, amar, gerar, só podemos exprimir-nos em termos humanos, mas chegamos com a mais profunda admiração ao último porquê: como pôde ter nascido a idéia de “conhecer”, amar", "gerar"? Não nasceu. Ela é. Porque Deus é amor. O mistério de Deus não é um mistério de solidão, mas de convivência, criatividade, conhecimento, amor, de dar e receber; e por isso, somos como somos.

Buscar a Deus

Em nossa vida cotidiana, às vezes sombria, às vezes trágica ou muito com­plicada, em que devemos cuidar de mil coisas que nos pressionam de toda parte, a luz de Deus é o amor. Devemos voltar-nos para esta luz se não nos quisermos desviar do verdadeiro fim de nossa existência. Gostaríamos de poder dizer: "Aqui está Deus; Deus é assim...". Mas não é possível. O próprio Deus sai dos quadros e das imagens e se oculta naqueles que precisam de nós, e diz: "Aqui estou!" Esconde-se nos pequeninos da terra e diz: "Buscai-me aqui!" Quem quer viver com Deus não se encontra diante de uma conclusão, mas sempre diante de um início, novo como cada novo dia. [MISSAL DOMINICAL ©Paulus, 1995]

Oração da assembleia (Missal Dominical, Paulus, 1995)

No batismo recebemos o Espírito de filhos; por isso nos dirigimos com confiança ao Pai, que enviou Jesus Cristo como Salvador do mundo. Digamos: Escutai-nos, Senhor.

Pela Santa Igreja de Deus, para que sua caridade manifeste ao mundo o amor do Pai por nós, rezemos.

Pelos judeus e pelos muçulmanos, para que sua fé num único Deus chegue ao conhecimento de um só Deus em três Pessoas, rezemos.

Pelas famílias cristãs, para que a obediência, a fidelidade e o amor sejam nelas um sinal da vida de Deus, rezemos.

Pela nossa comunidade, para que a celebração da eucaristia nos faça viver o amor do Pai, rezemos.

Preces espontâneas

Prefácio (O mistério da Santíssima Trindade):

Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo o lugar, Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso. Com vosso Filho único e o Espírito Santo sois um só Deus e um só Senhor. Não uma única pessoa, mas três pessoas num só Deus. Tudo o que revelastes e nós cremos a respeito de vossa glória atribuímos igualmente ao Filho e ao Espírito Santo. E, proclamando que sois o Deus eterno e verdadeiro, adoramos cada uma das pessoas, na mesma natureza e igual majestade. Unidos à multidão dos anjos e dos santos, nós vos aclamamos, jubilosos, cantando (dizendo) a uma só voz...

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