terça-feira, 12 de abril de 2011

Santa Teresa de Jesus Fernandez Solar, religiosa, +1920



Santa Teresa de Jesus dos Andes


Teresa dos Andes, tal como ficou conhecida, é a primeira santa que viveu no século XX a ser canonizada. Nascida em 1900, morre antes de completar os 20 anos, com apenas onze meses de vida religiosa.
Por ocasião da sua canonização, a 21 de Março de 1993, João Paulo II declarou: “A uma sociedade secularizada que vive de costas voltadas para Deus, apresento com viva alegria como modelo de eterna juventude da Igreja esta carmelita chilena. Ela dá-nos o testemunho límpido de uma existência que proclama aos homens e às mulheres de hoje que é no amor, na adoração e serviço a Deus que reside a grandeza e a alegria, a liberdade e plena realização da criatura humana.”

Juana Fernandez Solar, assim era o seu nome de baptismo, nasce no dia 13 de Julho de 1900 em Santiago do Chile, no seio de uma família de tradição católica, uma das mais ricas do país, tendo beneficiado de uma infância privilegiada. Tímida e engraçada, é acarinhada por todos. Mas os mimos estragam e torna-se caprichosa. Preguiçosa, rebelde e de carácter orgulhoso, custa-lhe obedecer. Mas nem tudo são defeitos: esforça-se por melhorar o seu feitio enquanto a sua sensibilidade e generosidade aproximam-na dos pobres.
Partilha com os seus irmãos os tempos livres mas não se coíbe de apreciar e procurar a solidão e o silêncio. Na verdade, Juana, após cada comunhão, entretém-se longamente com Jesus, que ela descobre presente no seu íntimo, ao ponto de exasperar os familiares que aguardam por ela. Mas é com Ele que ela se sente bem. Jesus responde às suas questões, guia-a, ilumina-a. De tudo isso, ela tem a certeza. Jesus é o seu noivo, muito rico e muito belo, pois Ele é o Senhor do universo. Passa horas junto ao sacrário, em oração. É o seu primeiro e único amor da sua vida. Jesus fá-la perceber que a quer como carmelita.
Juana cresce. Jovem adolescente, a sua formosura e posição social atrai a atenção de muitos jovens pretendentes. Mas ela apenas se preocupa em assistir os mais necessitados e amparar os da sua casa. É que a sua família, por má gestão, arruína-se. Os pais separam-se, o irmão mais velho, Lucho, seduzido pela modernidade afasta-se de Deus enquanto outro irmão, Miguel, poeta dotado, cai na dependência do álcool. A todos, Juana tenta ajudar, aconselhando uns e procurando curar os ressentimentos de outros. É um ano difícil, gasto em favor dos outros, separada da sua amiga e confidente Rebeca, é na oração que ela encontra força. Confrontada às diversas solicitações que o mundo propõe, abandona-se à vontade de Deus. Já nada a pode separar de Deus. É hora de se consagrar definitivamente a Ele, no carmelo.
Tendo obtido o consentimento do seu pai, transpõe a porta do pequeno convento “Los Andes” no dia 7 de Maio de 1919. Tem dezanove anos.


A separação da família foi, naturalmente, difícil para Juana e os seus. Porém, a nova postulante – agora chamada Teresa de Jesus – não olha para trás. Está à escuta daquilo que Deus espera dela, numa oferta incondicional pela salvação da humanidade.
“Por eles totalmente me entrego, para que também eles fiquem a ser teus inteiramente, por meio da Verdade” (Jo 17, 19). Teresa faz suas estas palavras de Jesus. Nunca, como agora, ela se sentiu tão próxima da sua família, dos seus amigos, de todos. Torna-se a sua advogada junto de Deus, colhendo os frutos da sua doação: a mãe serena, perdoando ao marido, associando-se à Ordem Terceitra Carmelita; Lucho recupera a paz e Rebeca far-se-á, também ela, carmelita.
Teresa é uma autêntica torrente de fogo, impetuosidade e fervor no amor que tem por Deus. As religiosas apercebem-se que a jovem caminha a passos largos, adaptando-se à vida da comunidade, aos trabalhos e costumes da Ordem, aceitando tudo com alegria e serenidade, por amor a Jesus: Procuro renunciar a tudo para possuir Aquele que é Tudo”.
A sua solicitude por todos não conhece limites, não fazendo acepção de pessoas, nem olhando a sacrifícios: Sobre a Cruz está o amor, e amando somos felizes.”

Na Sexta feira Santa de 1920, Teresa consume-se em febre. Os médicos não dão qualquer esperança. Adormece amorosamente em Deus no dia 12 de Abril do mesmo ano.



Santa Teresa dos Andes põe-nos diante dos olhos o testemunho vivo do Evangelho, encarnado até às últimas exigências na sua própria vida.
Ela é, para a humanidade, prova indiscutível de que o chamado de Cristo à santidade é atual, possível e verdadeiro. Ela ergue-se diante de nós para demonstrar que a radicalidade do seguimento de Cristo é o único que vale a pena e o único capaz de fazer-nos felizes.
Teresa dos Andes, com a eloquência duma vida intensamente vivida, confirma-nos que Deus existe, que Deus é amor e alegria, que é a nossa plenitude.
Nasceu em Santiago do Chile a 13 de Julho de 1900. No Batismo foi-lhe dado o nome de Joana Henriqueta Josefina dos Sagrados Corações Fernández Solar. Familiarmente era conhecida, e é ainda hoje, pelo nome de Juanita.
Viveu uma infância normal no seio da família: os pais, Miguel Fernández e Lucía Solar; três irmãos e duas irmãs; o avô materno, tios, tias e primos.
A família gozava de boa posição econômica e guardava fielmente a fé cristã que vivia com sinceridade e constância.
Joana recebeu a sua formação escolar no colégio das Irmãs francesas do Sagrado Coração. Uma curta e intensa história passada entre a família e o colégio. Aos catorze anos, movida por Deus, já ela se decidiu a consagrar-se a Ele como religiosa, em concreto, como carmelita descalça.
Este seu desejo veio a realizar-se a 7 de Maio de 1919, quando entrou no pequeno mosteiro do Espírito Santo na povoação de Los Andes, que dista aproximadamente 90 quilômetros de Santiago.
Vestiu o hábito de carmelita no dia 14 de Outubro desse mesmo ano, iniciando assim o noviciado com o nome de Teresa de Jesus.
Tinha pressentido, havia muito, que morreria jovem. Melhor, o Senhor tinha lhe revelado, como comunicou ao confessor um mês antes da sua partida para Ele.
Assumiu este anúncio com alegria, serenidade e confiança, certa de que na eternidade continuaria a sua missão de fazer conhecer e amar a Deus.
Após muitas tribulações interiores e indizíveis padecimentos físicos, causados por um violento ataque de tifo que lhe consumiu a vida, passou deste mundo para o Pai no entardecer do dia 12 de Abril de 1920. Tinha recebido com sumo fervor os santos sacramentos da Igreja e no dia 7 de Abril fez a profissão religiosa em artigo de morte. Faltavam-lhe ainda três meses para completar os 20 anos de idade e 6 para terminar o noviciado canônico e poder emitir juridicamente os votos religiosos. Morreu, portanto, sendo noviça carmelita descalça.
Esta é a trajetória externa desta jovem chilena de Santiago. Desperta em nós uma grande interrogação: Mas, que fez ela de importante? Para tal pergunta, uma resposta: viver, crer e amar.
Quando os discípulos perguntaram a Jesus sobre o que deviam fazer para cumprir as obras de Deus, Ele respondeu: “A obra de Deus é que acrediteis n'Aquele que Ele enviou” (Jo 6, 28-29). Portanto, para aperceber-nos do valor da vida de “Juanita”, é necessário assomar-nos ao seu interior, ali onde o Reino de Deus está.
Ela abriu-se à vida da graça desde mui tenra idade. É ela mesma que nos assegura que aos 6 anos, movida pelo Senhor, conseguiu centrar n’Ele toda a riqueza da sua afetividade: “Quando se deu o terremoto de 1906, pouco depois, Jesus começou a apoderar-se do meu coração” (Diário, n. 3, p. 26). Juanita aliava uma enorme capacidade de amar e de ser amada a uma extraordinária inteligência. Deus a fez experimentar a sua presença, cativou-a dando-se-lhe a conhecer e a fez totalmente d'Ele, unindo-a ao sacrifício da cruz. Conhecendo-O, amou-O; e amando-O, entregou-se radicalmente a Ele.
Tinha compreendido, já desde pequena, que o amor se mostra mais com obras que com palavras. Por isso traduziu-o em todos os atos da própria vida, desde a sua motivação mais profunda. Olhou-se a si mesma de frente com olhos sinceros e sábios e compreendeu que, para ser de Deus, era necessário morrer para si mesma e para tudo o que não fosse Ele.
Por natureza era totalmente adversa às exigências do Evangelho: orgulhosa, egoísta, teimosa, com todos os defeitos que isto supõe. Como nos acontece a todos. Mas o que ela fez de diferente foi não esmorecer nunca na luta encarniçada contra todo o impulso não nascido do amor.
Aos 10 anos era uma nova pessoa. Motivava-a o sacramento da Eucaristia que ia receber.
Compreendeu que era Deus que ia morar dentro dela; e isso a fez empenhar todo o esforço em ornar-se das virtudes que a fizessem menos indigna desta graça e conseguiu, em pouquíssimo tempo, transformar por completo o seu caráter.
Na celebração deste Sacramento recebeu de Deus graças místicas de falas interiores que persistiram ao longo de toda a vida. Desde então, a inclinação natural para Deus transformou-se nela em amizade, em vida de oração.
Quatro anos mais tarde recebeu interiormente a revelação que iria orientar definitivamente toda a sua vida: Jesus Cristo disse-lhe que a queria carmelita e que a sua meta tinha de ser a santidade.
Com abundante graça de Deus e a generosidade duma jovem apaixonada, entregou-se à oração, à aquisição das virtudes e à prática da vida segundo o Evangelho, de tal modo que em breves anos foi elevada a alto grau de união com Deus.
Cristo foi o seu ideal, o seu único ideal. Enamorou-se d'Ele e foi consequente até crucificar-se em cada momento por Ele. Invadiu-a O amor esponsal e, por isso, o desejo de unir-se plenamente a Quem a havia cativado. Assim, aos 15 anos fez voto de virgindade por nove dias, que renovou depois continuamente.
A santidade da sua vida resplandeceu nos atos ordinários de cada dia em qualquer ambiente onde viveu: a família, o colégio, as amigas, os vizinhos com quem passava parte das suas férias e a quem, com zelo apostólico, catequizou e ajudou.
Sendo jovem igual a todas as suas amigas, estas reconheciam-na diferente. Tomaram-na por modelo, apoio e conselheira. Juanita sofreu e gozou intensamente em Deus as penas e alegrias comuns a todas as pessoas.
Jovial, alegre, simpática, atraente, desportista e comunicativa. Adolescente ainda, alcançou perfeito equilíbrio psicológico e espiritual, como fruto de ascese e oração. A serenidade do seu rosto era o reflexo do Deus que nela vivia.
A sua vida no convento, de 7 de Maio de 1919 até à morte, foi o último degrau da sua ascensão ao cume da santidade. Nada mais que onze meses bastaram para consumar uma vida totalmente cristificada.
Bem depressa a Comunidade descobriu nela a passagem de Deus na sua própria história. No estilo de vida carmelitano-teresiano, a jovem encontrou plenamente o espaço por onde derramar, com a maior eficácia, a torrente de vida que ela queria oferecer à Igreja de Cristo. Era o mesmo estilo de vida que, a seu modo, vivera na família e a que se sentia chamada. A Ordem da Virgem Maria do Monte Carmelo culminou os desejos de Juanita ao comprovar que a Mãe de Deus, a quem amou desde pequena, a tinha atraído para pertencer-lhe.
Foi beatificada em Santiago do Chile, por Sua Santidade o Papa João Paulo II, no dia 3 de Abril de 1987. Os seus restos são venerados no Santuário de Auco-Rinconada dos Andes por milhares de peregrinos que buscam e encontram nela a consolação, a luz e o caminho reto para Deus.
Santa Teresa dos Andes é a primeira Santa chilena, a primeira Santa carmelita descalça de além fronteiras da Europa e a quarta Santa Teresa do Carmelo, depois das Santas Teresas de Avila, de Florença e de Lisieux.



Devoção a Nossa Senhora

"Todos os dias comungava e falava com Jesus longamente. Mas minha devoção especial era à Virgem; contava-lhe tudo".(3)

Como fruto dessa devoção, de que já dava mostras desde a primeira infância, aos sete anos aprende a rezar o Rosário e promete rezá-lo todos os dias. Promessa que cumpriu fielmente até a morte.

No colégio se empenhou em difundir a devoção a Nossa Senhora, e se tornou religiosa na ordem especialmente dedicada à Santíssima Virgem.

Sua alegria e sua união à Mãe de Deus chegam ao auge poucos meses antes da morte, ao descobrir entre os livros do convento oTratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem", de São Luís Maria Grignion de Montfort, o grande doutor marial.

Ler o Tratado e consagrar-se Àquela que tanto amava foi uma só coisa. Leva outra noviça a consagrar-se igualmente.
Historia de la vida de Teresa de los Andes. Vida de familia (1/2)La familia de Santa Teresa de Los Andes
No colégio

Aos 15 anos passa a estudar como interna no mesmo colégio. O que parecia a Juanita uma coisa inaceitável - ser interna - torna-se ocasião de progressos espirituais acentuados, e, como diz ela, preparava-a para a grande separação da família, quando entrasse para o Carmelo.

A piedade e o zelo apostólico de Juanita chamam a atenção das alunas e mestras. Reza ou medita longamente na capela. Com despretensão e habilidade, procura ajudar as colegas, quer nas vias da virtude, quer nos estudos. Nos finais de semana, exerce essa ação especialmente junto às internas pobres, acolhidas gratuitamente no colégio.

Chega a formar um grupo de aproximadamente 15 moças das melhores famílias de Santiago, oito das quais vieram a ser religiosas.

Uma das religiosas do colégio, encarregada de velar pelo aprimoramento espiritual das alunas, logo percebeu que Juanita não era uma alma qualquer, e a auxilia. Por essa época, leu a vida de Santa Teresinha -- falecida não fazia muito -- e compreende que devia ser carmelita. Numa visão, Nosso Senhor lhe disse que a queria carmelita.

Pouco depois de entrar no internato, faz voto de virgindade:"Hoje, oito de dezembro de 1915, com a idade de quinze anos, faço voto diante da Santíssima Trindade, em presença da Virgem Maria e de todos os santos do Céu, de não admitir outro Esposo senão meu Senhor Jesus Cristo, a quem amo de todo coração e a quem quero servir até o último momento de minha vida".(4)

Nas férias, missões

As férias ocupam um lugar à parte e não menos elevado: sua família possui uma das maiores fazendas do Chile, e durante as férias promove missões para as centenas de empregados. Há preparação para Primeira Comunhão, Crisma, realização de batizados, casamentos, etc.

Juanita participa ativamente, dando aulas de catecismo, cuidando da ornamentação da capela ou tocando o harmônio nas cerimônias. O número de sacerdotes nessas missões às vezes chega a quatro, tal era o número de pessoas para atender.

O bem-estar material dos colonos não é esquecido; a mãe de Juanita, muitas vezes acompanhada por ela, percorre as casas e anota providências a tomar. Com freqüência cuida pessoalmente dos doentes.

Passadas as missões, Juanita aproveita parte do dia para passear longamente a cavalo ou jogar tênis.

Uma coisa porém todos notavam: quer estivesse rezando na capela, quer dando aula de catecismo ou visitando os doentes, quer nas diversões, ela sempre tem a alma entretida com "algo". Na leitura de seu diário vê-se claramente que, além das visões místicas freqüentes, Juanita se entretém continuamente com Nosso Senhor. E, às vezes, de modo extraordinário.

A esse propósito, escreve o Pe. Felix Henlé, que participara de uma missão na fazenda da família de Juanita: "Um dia entrei silenciosamente no oratório, sem suspeitar que ela estava lá. Mas, que vejo? A senhorita Joana elevada no ar, mais ou menos trinta centímetros, sem que seus joelhos nem seus braços se apoiassem no genuflexório, as mãos postas, adorando o Santíssimo".(5)

No Carmelo

Em l918, deixou o colégio e passou a cuidar da casa, continuando a exercer seu apostolado com as colegas, e agora também com as primas e amigas.
Fachada del Carmelo de Los Andes
Já firmemente resolvida a seguir a voz de Jesus, trocou correspondência com a Madre Superiora do Carmelo de Los Andes. Esta aconselhou-a a ler a vida de Santa Teresa de Ávila, pois não há fonte mais pura da vocação, por ser ela a reformadora do Carmelo feminino.
Claustro del Carmelo de Los Andes, donde Juanita hizo su profesión religiosa
Conta seu irmão Lúcio, que havia ficado com dúvidas religiosas devido a más influências: "Na véspera de entrar no Carmelo, a família foi despedir-se dela na Igreja da Gratidão Nacional. Conversamos longamente e disse-lhe: `Levas tudo, e eu nem sequer tenho a Deus'. Ela me abraçou e se apoiou em meu ombro, dizendo-me: `Não sentes Deus quando estás comigo?".(6)
En la capilla adyacente otros, con igual piedad, se preparan para el Sacramento de la Confesión
En la capilla adyacente otros, con igual piedad, se preparan para el Sacramento de la Confesión.

Em maio de 1919, quando ingressa no Carmelo de Los Andes, é visível a sua alegria em meio aos prantos da família, que fora despedir-se dela: "Não imagina a felicidade de que desfruto. Encontrei, por fim, o céu na terra. Se é verdade que me separei dos meus com o coração desfeito, hoje gozo de uma paz inalterável".(7)

Sua vida no Carmelo deixa uma lembrança que chama as demais religiosas à perfeição. A Priora sustenta junto a outras religiosas experientes e fervorosas que Irmã Teresa de Jesus -- esse o seu nome em religião -- "já era uma santa".

Nos processos de beatificação e canonização, três dos principais confessores de Teresa de Jesus sustentaram sob juramento que ela jamais cometera pecado mortal nem venial deliberado. Seu confessor no Carmelo assevera que, no convento, ela jamais cometeu imperfeição deliberada.

Na Sexta-feira Santa de 1920, após o Ofício que relembra a morte do Divino Salvador, a Superiora percebeu que Irmã Teresa estava pálida e com dificuldade de seguir as cerimônias. Quando lhe apalpou a fronte, viu que estava ardendo de febre, e mandou-a recolher-se ao leito. Dele não se levantaria mais.

Nesse período, faz a profissão religiosa e recebe os últimos sacramentos.

Ao entardecer de 12 de abril de 1920, contando vinte anos incompletos e apenas 11 meses no Carmelo, fechou os olhos para esta vida, indo encontrar Aquele que pouco antes ela chamara "Meu Esposo".

Longe dali, em Santiago, nesta mesma hora, a irmã Mercedes do Coração de Maria teve uma visão: "Subitamente (...) me encontrei na cela de uma carmelita moribunda; vi que era bem jovem e, apesar da palidez de seu rosto, tudo nela refletia uma luz suavíssima e celestial. Ao lado esquerdo da sua cama havia um anjo com um dardo que lhe traspassava o coração, e logo ouvi: morre de amor".(8)

"Seria injúria rezar pelo sufrágio de sua alma"

"Eu não duvido de que está muito elevada no Céu, e creria fazer-lhe injúria rezar pelo sufrágio de sua alma. Entretanto, isto sim, tenho rezado encomendando-me a ela todos os dias, como o farei sempre, pois estou persuadido de que tive a dita de conhecer uma santa viva".(9) Assim se expressa, em carta de pêsames à mãe da carmelita, o Pe. Julián Cea, que a dirigiu espiritualmente durante anos.

A Superiora do Sagrado Coração escreve à mãe da Santa: "Felicito-a por ser mãe de um anjo do céu, de uma verdadeira santa que, diante do trono de Deus, será para a Sra. e para nós, advogada, protetora, força e consolo".(10)

pureza de uma Santa (Teresa dos Andes)



"Estou na meditação. Nosso Senhor me disse que meditasse sobre a pureza da Virgem. Ela, sem dizer-me nada, começou a falar. Eu não conheci a sua voz e perguntei se era Jesus. Ela me respondeu que Nosso Senhor estava dentro de minha alma, porém que Ela me falava. Disse-me que escrevesse o que me dizia acerca da pureza.

Ser pura no pensamento: quer dizer, que rechaçasse todo pensamento que não fosse de Deus, para que assim vivesse constantemente em sua presença. Para isso devia procurar não ter afeto a nenhuma criatura.

Ser pura em meus desejos, de tal modo que só desejasse ser a cada dia mais de Deus; desejasse sua glória, ser santa e fazer minhas obras com perfeição. Para isto, não desejar nem honra nem louvores, mas desprezo, humilhação, pois assim agradava a Deus. Não desejar nem comodidades nem qualquer coisa que deleitasse meus sentidos. Não desejar nem comer nem dormir senão para servir melhor a Deus.

Ser pura em minhas obras. Abster-me de tudo o que possa manchar-me, do que não seja admitido por Deus, que quer minha santificação; fazê-las por Deus o melhor que possa, não para que me vissem as criaturas. Evitar toda palavra que não seja dita por Deus, por sua glória.

Que em minhas conversas sempre colocasse Deus. Que não olhasse nada sem necessidade, mas para contemplar a Deus em suas obras. Que imaginasse que Deus me olhava sempre. Que me abstivesse daquilo que me agradava.

Se tinha de comer, não sentir prazer nisso, mas oferecê-lo a Deus, porque me era necessário para servi-lo melhor. Que mortificasse o tato não tocando sem necessidade em mim mesma nem em outra pessoa qualquer. Em uma palavra, que todo meu espírito estivesse submerso em Deusde tal maneira que me esquecesse inteiramente de meu
corpo.

A Virgem havia vivido assim desde que nasceu; porém lhe havia sido mais fácil, pois sempre esteve cheia da graça. Que fizesse tudo o que fosse de minha parte para imitá-la; pois assim Deus se uniria intimamente a mim. Que rezasse para consegui-lo. Assim refletiria a Deus em minha alma." (Diário e Cartas de Santa Teresa de los Andes, pág. 114, Edições Loyola. Livro editado pelo Frei Patrício Sciadini, ocd. ).

JM+JT

Santa Teresa dos Andes, rogai por nós!

_________________
Notas:
1 - Madre Gabriela del Niño Jesus, Un lírio del Carmelo - Soror Teresa de Jesus", Santiago, 1929, p. 28.
2 - Santa Teresa de los Andes, Diário y Cartas, Edições Carmelo Teresiano, Santiago, l993, p. 33.
3 - Idem, p. 33.
4 - Idem, p. 46.
5 - Ana Maria Risopatrón, Teresa de los Andes - Teresa de Chile, Santiago, 1988, p. 89.
6 – Pe Marino Purnoy, OCD, Teresa de los Andes vista por su hermano Lucho, Edições Carmelo Teresiano, Santiago, l990, p. 34.
7 - Ana Maria Risopatrón, idem, p. 261.
8 - Ana Maria Risopatrón, idem, p. 178 (transcrito do Processo de Beatificação).
9 - Un lírio...", p. 470.
10 - Idem, p. 477.

A frase que mais identifica a nossa jovem é esta(Teresa dos Andes (Joana) a seu irmão Lucho) :

« Jesus Cristo, esse Louco de Amor, tornou-me louca!»

  • «Adquiri fama pelas minhas tentações do riso...» (C.43)

  • «Só Tú, Jesus, és o único capaz de me enamorar!» (D. 40)

  • «Jesus não quer que exista ninguém entre Ele e eu. Manifestando-se à minha alma, enamorou-a de tal forma que só n'Ele posso encontrar repouso» (C. 140)

  • «Deus é alegria infinita...Ele no-la comunica!» (C.101 e 108)

  • «Vi que a Felicidade do mundo não existe e as coisas do mundo deixam-me sempre um vazio que só Deus pode preencher por completo!»

  • «Sou a pessoa mais feliz. Não desejo já nada porque todo o meu ser está saciado por Deus...» (C.100)


    SANTA TERESA DE JESUS "DOS ANDES" (Juanita Fernández Solar) é a primeira chilena e a primeira carmelita americana elevada à honra dos altares. Nasceu em Santiago do Chile a 13 de Julho de 1900, no seio de uma família desafogada profundamente cristã. Foram seus pais Miguel Fernández e Lucía Solar.

    A partir dos seis años assitia com a mãe, quase diariamente, à santa missa e ansiavajá pela comunhão, que recebeu pela primeira vez no dia 11 de Setembro de 1910. Desde então, procurava comungar diariamente e passar longo tempo em diálogo íntimo com Jesus.

    Viveu uma infância marcada por uma intensa vida mariana, que foi um dos alicerces mais fortes da sua vida espiritual. O conhecimento e o amor à Mãe de Deus vivificou e manteve todos os momentos do seu itinerário no seguimento de Cristo.

    Fez os seus estudos no Colégio do Sagrado Coração (1907 - 1918). Profundamente efectiva, julgava-se incapaz de viver separada dos seus. No entanto, assumiu generosamente o sacrificio de estudar nos últimos três anos, em regime de internato, o que lhe serviu de ensaio para a separação definitiva consumada a 7 de Maio de 1919, ao entrar nas Carmelitas dos Andes.

    Tinha sentido, aos catorze anos, a vocação para o Carmelo. E, através da leitura dos Santos carmelitas e a frequente correspondência com a Priora dos Andes, foi-se preparando de tal forma que surpreende a clarividência com que, desde os 17 anos, expõe o ideal da carmelita, e o ardor com que defende a sua vida contemplativa, que o mundo reputa de "inútil". Ela abraçou-a verdadeiramente entusiasmada por um autêntico amor ao mundo: para ser-lhe mais útil dando testemunho da dimensão espiritual humana e para contribuir, com o seu próprio sacrificio, para que o Sangue de Cristo caísse sobre a humanidade e a purificasse.

    No Carmelo chamou-se Teresa de Jesus, não chegando a viver nem sequer um ano no convento. Morreu no dia 12 de Abril de 1920. As religiosas afirmavam que ela entrara já santa, de modo que, em tão breve tempo, pôde consumar o caminho de santidade iniciado muito a sério já antes da sua Primeira Comunhão.

    "Cristo, esse louco de amor, fez-me louca a mim", dizia. E a sua aspiraçaõ e constante empenho centrou-se em assemelhar-se a Ele, em configurar-se com Cristo. Por isso, desejando ser imitacão fiel de Jesus, viveu decidida a ir até ao fim do mundo, sujeitando-se até a ser queimada no fogo se isso fosse necessário para ser-Lhe fiel.

    Estava sempre disposta a sacrificar-se pelos demais e a servi-los com alegria e prazer, fazendo amável e atraente a virtude.
    Levou uma vida inteiramente normal e equilibrada. Atingiu uma invejável maturidade, integrando na mais harmoniosa síntese o divino e o humano: oração, estudos, deveres do lar...e desporto, de que era muito afeiçoada, sobretudo da natação e equitação.

    Como jovem, formosa, simpática, dada ao desporto, alegre equilibrada, serviçãl e responsável, Teresa dos Andes está em condições insuperáveis para atrair a juventude a Cristo e para recordar-nos a todos que é preciso viver o projecto evangélico do amor, se queremos realizar-nos como pessoas.

    O Senhor está a derramar, por sua intercessão, copiosas gracas e favores de toda a espécie e a chamar a Si numerosos filhos dispersos. O seu santuário, visitado por mais de cem mil peregrinos cada mês, converteu-se no centro espiritual do Chile. Teresa dos Andes vai assim cumprindo a missão reconhecida como sua logo após a morte: despertar fome e sede de Deus no nosso mundo materializado.

    Beatificada por João Paulo II em Santiago do Chile, a 3 de Abril de 1987, foi solenemente canonizada pelo mesmo Sumo Ponfífice, em Roma, no dia 21 de Março de 1993.

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